Um Oráculo Fora de Categoria: onde o Tarot Velvet Steel se encaixa — e onde ele vai além
Comparativos com tarôs que guardam semelhanças com o tarô Velvet Steel & Electric Grace, contudo também possuem distinções.
Ludmilla Von Friek
5/10/20265 min read


Um Oráculo Fora de Categoria:
Onde o Tarot Lud se encaixa — e onde ele vai além
por Ludmilla Von Friek
Quando alguém cria um baralho de tarô, a primeira pergunta que surge é inevitável: com o quê isso se parece? É uma pergunta justa. O mercado de oráculos é vasto, e o comprador quer saber onde está pisando antes de confiar suas perguntas mais íntimas a um baralho de 48 cartas.
Então vamos responder com honestidade — e com a coragem de dizer também onde o Tarot Velvet Steel não tem comparação.
1. A profundidade que recusa o consolo fácil: Osho Zen Tarot
O ponto de partida mais natural para situar o Tarot Velvet Steel é o Osho Zen Tarot, criado em 1995 por Ma Deva Padma. Como o Tarot Velvet Steel, ele abandona a estrutura tradicional de arcanos e naipes do tarô de Marselha. Sua filosofia central é a evolução individual de cada pessoa, a liberação de tudo que impede o progresso — um oráculo que se concentra no poder da intuição e foca no autoconhecimento em vez de prever eventos futuros.
Até aqui, os dois oráculos caminham juntos. Ambos recusam a promessa do futuro. Ambos apontam para o presente. Ambos constroem arquétipos próprios em vez de seguir o Cavaleiro, a Imperatriz ou o Eremita de sempre.
Mas aqui os caminhos se separam — e de forma significativa.
O Tarô Zen de Osho não lida com predições. Ele espelha o momento presente, sem julgamento ou comparação. É um chamado para o despertar, para sintonizar. Belo. Mas o Tarot Velvet Steel vai além: ele não apenas espelha — ele interroga. Onde Osho suaviza, o Tarot Velvet Steel confronta. Onde o Zen convida ao silêncio, o Tarot Velvet Steel entrega uma pergunta afiada: "What power have you refused to call your own?" Não há conforto fácil aqui. Há honestidade.
O manual do Tarot Velvet Steel declara logo na abertura: "Este baralho não prevê o futuro. Ele revela o presente com mais honestidade do que você estaria disposto a praticar sozinho." Isso é osho — mas com guitarras e sem eufemismos.
2. A arte que não precisa de explicação — e o manual que vai além disso: The Wild Unknown Tarot
The Wild Unknown, da artista americana Kim Krans, se tornou um fenômeno global ao redefinir o tarô para o século XXI. Cada uma das 78 cartas é uma obra de arte que explora os mistérios do mundo natural e do reino animal. Desenhadas em seu estilo esparso e minimalista, as imagens marcantes convidam à contemplação profunda.
O paralelo com o Tarot Velvet Steel é claro: ambos priorizam a experiência visual sobre a teoria. Ambos foram criados por uma artista com uma visão de mundo muito particular, e essa visão transpira em cada detalhe das cartas. Kim Krans é uma artista de tarô rara que vai pelo seu próprio caminho, sem seguir as linhas tradicionais Rider-Waite, Marselha ou Thoth. Ela inventou seus próprios limites com este baralho revolucionário. O mesmo se pode dizer de Ludmilla Von Friek.
A diferença está no manual. O livrete do Wild Unknown tem explicações bem básicas — poderia usar definitivamente um pouco mais de informação, especialmente para iniciantes. O Tarot Velvet Steel toma a direção oposta: 102 páginas bilíngues de poesia, filosofia, provocação e perguntas de meditação. O manual não é um acessório do baralho. É, ele mesmo, uma obra literária.
3. A voz poética que habita o texto:
Fernando Pessoa e Emil Cioran
Aqui entramos em território incomum para um post sobre tarô — e é exatamente aí que o Tarot Velvet Steel fica interessante.
O manual de 102 páginas contém aforismos que não têm nada a invejar de grandes nomes da literatura filosófica ocidental. Frases como "The lightning in her hands is not a weapon. It is language" ou "There are things that can only be seen when physical eyes stop insisting. The noise of the visible is deafening" operam no mesmo registro de Fernando Pessoa — a construção mítica de uma soberania interior — e de Emil Cioran — o aforismo como navalha que corta antes de consolar. A diferença é que Cioran teria desespero. O Tarot Velvet Steel tem fogo.
Há também ecos do melhor da tradição portuguesa de fragmentação íntima, aquele modo de habitar as contradições sem querer resolvê-las, tão presente em O Livro do Desassossego. Mas aqui o desassossego vem acompanhado de uma coroa, uma serpente e um relâmpago nas mãos.
4. O oráculo como guia terapêutico:
ACT e a psicologia do presente
As perguntas de meditação ao final de cada carta do Tarot Velvet Steel têm uma precisão que vai além da poesia. "Which half of yourself have you been feeling ashamed of?" (Carta 43). "What would you do if no one needed saving — including yourself?"
Essas perguntas operam no mesmo espaço da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e dos diários filosóficos estoicos — ferramentas que não buscam resolver o problema, mas ampliar a consciência de quem o carrega. A diferença é que aqui não há um terapeuta na sala. Há uma rainha com olho coberto por um rubi e duas serpentes nos braços do trono.
O resultado é um baralho que pode ser usado tanto por quem nunca tocou um tarô quanto por quem tem anos de prática — porque o nível da conversa não é determinado pela tradição simbólica, mas pela disposição honesta de quem segura as cartas.
5. O universo expandido:
O que nenhum outro tarô tem
Aqui o Tarot Velvet Steel entra em território sem precedentes no mercado brasileiro — e raro no mercado mundial.
Cada uma das 48 cartas existe também como personagem em um universo de mais de 200 músicas, videoclipes e álbuns. Quando você compra o Tarot Velvet Steel, não está comprando apenas cartas e um manual. Está acessando um lore — um mundo narrativo com sua própria mitologia, estética e trilha sonora.
Projetos desse tipo existem na música: pense em Nightfall in Middle-Earth do Blind Guardian, um álbum conceitual inteiramente baseado no Silmarillion de Tolkien, onde cada faixa é uma cena de uma saga maior. Ou no Operation: Mindcrime do Queensrÿche, um rock ópera com personagens que existem além das músicas.
O Tarot Velvet Steel faz o mesmo — mas na direção inversa. O universo já existe nas músicas. O baralho é o mapa desse universo, e o manual é o seu grimório.
Não existe, no Brasil, nenhum outro tarô com trilha sonora original. Não existe nenhum oráculo autoral que seja simultaneamente um álbum de metal sinfônico, um livro de aforismos filosóficos e um sistema de meditação visual. Isso não é nicho. É um quase-monopólio criativo.
Em resumo: onde o Tarot Velvet Steel se encaixa
O Tarot Velvet Steel não é uma tentativa de fazer o que outros fizeram melhor. É algo genuinamente diferente: um oráculo que não prevê, não suaviza e não simplifica — mas que oferece, em cada carta, uma pergunta que você provavelmente vinha evitando.
E isso, no fundo, é o que um bom tarô sempre foi.
O Tarot Velvet Steel faz parte de um universo artístico com mais de 200 músicas, videoclipes e álbuns.
Disponível em ludmillavonfriek.com.

